Casa em Santa Maria da Feira

Santa Maria da Feira, 2025

Arquitetos

João Branco + Paula del Río

Colaboradores

Gerson Rei

Marco Silva

Fotografia

© do mal o menos

© Frederico Martinho

A casa insere-se num terreno murado, densamente arbo­rizado, onde a presença devegetação de grande porte define o caráter do lugar e estabelece uma condiçãode interioridade e resguardo. O conjunto desenvolve-se num terreno em declive,organizado em torno de um pátio, cuja estrutura espacial e relação com atopografia foram manti­das como base do projeto.

A intervenção parte de um conjunto agrícola existente — composto por vacaria, celeiro e casa de caseiros — que é transformado numa habitação unifamiliar,respeitando a lógica de implantação e a articulação entre os volumes. A organização programática adapta os edifícios às novas funções: a antiga vacariaacolhe as áreas sociais, a casa de caseiros os quartos, e o celeiro os espaçosde apoio e ga­ragem.

A construção preserva os muros portantes em granito e reconstrói, acima destes,uma estrutura leve em madeira — pavimentos, fachadas e cobertura — segundo a lógica con­strutiva original. Este sistema estabelece uma clara articu­lação entre uma base mineral, de elevada inércia térmica, e uma estrutura superiorleve e isolada, contribuindo para o desempenho ambiental passivo do conjunto.

As estratégias ambientais partem de soluções já presentes na arquitetura agrícola: beirados profundos para proteção solar, cobertura ventilada através de ripadode madeira, e paredes espessas que regulam a temperatura interior. Estes princípios foram mantidos e reforçados com a introdução de isolamento na cobertura e dispositivos de controlo solar, como portadas exteriores de madeira.

A construção recorre a materiais duráveis e de baixa ma­nutenção — granito, madeira e argamassas de cal — e à continuidade de saberes construtivos locais, assegurada por mão de obra qualificada. O processo construtivo pro­longado contribuiu para a estabilização dos materiais e para a integração progressivada casa na paisagem envolvente, conferindo-lhe desde a sua conclusão uma presença consolidada.

O projeto propõe uma forma de habitar que, partindo de uma estrutura existente, articula forma, matéria e clima, para criar condições de conforto com reduzida depend­ência de sistemas ativos e reforçando a relação entre ar­quitetura, território e vida quotidiana.